Quando o Medo de Ser Julgado Interrompe a Própria Jornada
- Pedro Gatti Lima
- 19 de jan.
- 2 min de leitura
Atualizado: 25 de jan.

Julgar é um gesto rápido, muitas vezes automático. Avaliamos histórias, escolhas e sentimentos — os dos outros e os nossos. Esse movimento pode dar a sensação de controle, mas frequentemente nos afasta da experiência viva do que sentimos.
O medo de ser julgado nasce justamente nesse terreno. Ele aparece quando aprendemos que algumas emoções precisam ser explicadas, que certas histórias não são bem-vindas, que nem tudo em nós será facilmente aceito. Aos poucos, começamos a nos adaptar ao olhar do outro.
Esse medo costuma se manifestar como ansiedade. A ansiedade de não ser suficiente, de não estar à altura, de decepcionar. Como se houvesse um padrão invisível sempre à frente, exigindo ajustes constantes na forma de sentir, falar e existir.
Quando o julgamento externo é internalizado, passamos a nos vigiar. Pensamos antes de sentir, medimos antes de falar, justificamos antes de nos permitir. O contato com a própria experiência vai sendo substituído pela preocupação em não errar, não incomodar, não falhar.
Julgar menos não significa ignorar limites nem negar a realidade. Significa criar espaço para que a experiência seja vivida antes de ser avaliada. Permitir que emoções existam sem que precisem, imediatamente, ser classificadas como adequadas ou inadequadas.
Grande parte do sofrimento psíquico nasce desse conflito silencioso: a necessidade de ser aceito e o medo de não ser. Quando a validação vem sempre de fora, a própria história perde sustentação, e a jornada pessoal passa a ser guiada pelo receio.
Talvez o convite seja substituir o julgamento pela curiosidade. Olhar para si com mais interesse e menos condenação. Reconhecer falhas, ambivalências e dúvidas como parte da experiência humana — e não como sinais de fracasso.
A psicoterapia pode ser um espaço onde esse medo diminui. Um lugar de elaboração, não de defesa. Onde não é preciso provar nada, apenas se escutar. Quando o julgamento cede, a ansiedade encontra descanso — e a própria jornada pode seguir com mais verdade.











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